(Foto destaque: Cinthya Araújo | Texto: Aline Ramos e Juliane Cintra)

O corpo negro sempre esteve em movimento, mesmo quando o tentaram acorrentar. Corpo este que carrega dor, luta, resistência, mas também alegria, amor e tantos outros sentimentos que apenas a dança é capaz de expressar.
“Dos tambores ao tamborzão” é um espetáculo que propõe uma viagem à história deste corpo negro e também periférico, cujas manifestações partem da mesma e única raiz ancestral africana que se multiplicou ao longo do tempo, na diáspora, mantendo viva a tradição que considera a dança parte essencial da vida.
Esta viagem no tempo começa no continente primeiro, África, passa pelo processo de construção da identidade brasileira e valoriza as danças que agitam bailes, ruas, vielas, lajes e fluxos em cada território de São Paulo. Por isso convidamos você a passear pelas “Estéticas das Periferias”.

Dança como força vital

O lugar que o corpo negro se encontra socialmente e politicamente é contemplado de forma direta, denunciando suas condições e transpondo sua potência como forma de resistência e subversão. Diante disso, este corpo transgride os padrões da moral e encontra-se ramifi¬cado nas manifestações populares presentes na juventude brasileira. Aqui é o momento da voz do funk e seus plurais signos corporais.
Para uma das idealizadoras do espetáculo, Renata Prado, as danças tradicionais de inúmeros povos africanos e a música negra contemporânea estão conectadas pelo tambor – quer seja eletrônico ou feito com o couro e os mais diversos elementos da natureza, os cantos que com eles são entoados têm a mesma matriz como origem.
“Quando falamos do dancehall, ragga, soulfunk, pagode baiano e do funk, estamos falando de música negra, ritmos influenciados pela história construída por negros e negras sequestrados e que distantes de seus territórios reinventaram a vida e reexistiram”, destaca.
Se Axé é a força vital que vem dos antepassados e a nossa dança, a dança preta e favelada do Brasil tem África como origem, estamos falando de modos de vida, de cultura, da existência e luta de uma juventude negra que resiste ao extermínio por meio de sua arte marginal e periférica.

Conheça mais sobre os companhias que integram o espetáculo:

mariama-camara-c3a1frica-livre-out-2013-fundic3a7c3a3o-progresso-rj-foto-stc3a9phanne-goanna-munnier2MARIAMA CAMARA
Dançarina, percussionista, cantora e coreógrafa, Mariama Camara é conhecida internacionalmente por difundir a cultura Mandingue em o¬cinas e apresentações por todo o mundo. Já integrou os renomados grupos Les Ballets Africains (1999-2007) e Ballet Tayeli e dançou com grandes artistas como Youssou N’dour, Youssouf Koumbassa e Salif Keita. Como percussionista, teve formação com mestres da música como Mamadou Ba Camara, Fodé Seydou Camara e FaraTolno.

13724972_1008215495899185_3478953269579817426_oGRUPO ZUMB.BOYS
Zumb.boys é um grupo de dança que surgiu em 2004 na zona leste de São Paulo. Formado por bailarinos com diferentes percursos na dança, o grupo tem como foco a pesquisa, comunicação, re exão e vivência no universo da dança. O grupo já foi contemplado pelo Programa VAI (2008 e 2009) e pelo ProAc – Hip Hop (2010), 17° Fomento à Dança do Município de São Paulo (2004) e ProAc – Circulação (2015).

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A Cia. Sansacroma tem se dedicado a desenvolver trabalhos baseados no hibridismo característico às criações coreográ¬cas na contemporaneidade. Sua produção artística focaliza temas pertinentes à sociedade atual, no modo em que chegam e afetam a todos diretamente. Tendo feito uma escolha singular ao atuar na periferia sul de São Paulo, este território influencia diretamente o seu processo artístico. O ponto de partida das criações são as poéticas e políticas do corpo negro onde quer que ele esteja inserido.

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Grupo formado por estudantes da Dança de Rua, com o foco de levar a dança urbana aos palcos e teatros de uma maneira pro¬ssional e educativa. Dando ênfase a uma das vertentes desta linguagem: O estilo “Locking”, criado no ¬final da década de 60 por Don Campbell na cidade de Los Angeles. Chemical Funk já alcançou um grande reconhecimento no cenário da cultura Hip Hop, e desde seu surgimento, em 2006, está envolvido nos principais encontros e acontecimentos que marcam a dança urbana no país.

FÉLIX PIMENTAConferência-das-Bruxas-Félix-Pimenta-Tiago-SantAnna
Félix Pimenta é dançarino, pesquisador, professor e coreógrafo de danças urbanas. Iniciou seus estudos em 2002, fazendo aulas com professores de diversos países e também teve experiência com Danças étnicas, Jazz e Técnica Laban. Participou do musical Thriller Live Brasil Tour (2013) e hoje dança com a cantora Lorena Simpson. Deu aula em diversos projetos como “Programa Escola da Família” (2005-2006) e “Juventude Esperança do Amanhã” (2009). Foi um dos produtores e organizadores do eventoAkomabu Hip Hop Conference de 2009 à 2011. Atuante da cultura hip hop, participa de vários eventos e campeonatos, batalhando e ministrando workshops.

P1250810CIA BATEKOONIANA
A Cia. Batekooniana é uma ramiFIcação dos corpos negros dançantes que se encontram mensalmente na festa BATEKOO SP, encontro produzido por pro¬ssionais negros que trabalham de forma independente abordando a cultura negra com seriedade. A proposta da Cia. Batekooniana é fomentar o “bate koo” nos corpos alheios através de danças como funk, pagode baiano, ragga, dancehall, kuduro, dentre outros, além de quebrar os estereótipos vulgares que são colocados nas danças culturais provenientes do povo negro quando o assunto é mexer a bunda.

 

 

 

FICHA TÉCNICA:
Direção: Gal Martins
Proposição e Concepção: Renata Prado e Adriano José
Direção Musical: Melvin Santhana
Concepção e Operação de Luz: Piu Dominó
Coletivos e artistas que compõem o elenco: Mariama Camara, Grupo Zumb.Boys, Cia Sansacroma, Chemical Funk, Fragmento Urbano, Félix Pimenta e Cia Batekooniana